terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Numa rua onde param o branco e o azul, à minha janela vejo um excessivo vermelho. Vejo-o nos lábios, nos anúncios, nas paredes e até mesmo, ali no fundo, naqueles sapatos. Consigo caracterizar cada tom desta cor. É garrida, forte, dolorosa ao toque e suave ao olhar. Não peço, juro que não peço mais nada senão poder tocar-lhe, sentir a sua dor, a sua chama, a sua robustez. É engraçada a forma como passa do rosado para o vermelhão - são as emoções, essas que trabalham dia e noite para se fazerem notar. Uma vez, uma disse-me ser a rainha de todas as outras. Julguei estar mentindo, até ao momento em que a senti dentro de mim, estava vermelha; cantava tão alto que acordou, dentro do castelo das sensações, o azul, o amarelo, o laranja, todos os tons fáceis de ouvir. Cada um de nós tenta agarrar a sensibilidade que mais lhe apetece, e apesar dessa rua ser branca e azul, eu pintei-a de vermelho. Quando chover, abraçar-me-ei aos meus olhos e pintarei de novo.


*este é o 100º do blogue :)

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Nunca as tinha sentido voar na minha barriga, essas que têm brilho nas asas, rosas na boca e sonhos nas patas. Para elas não existe céu, não há um limite e, por agora, as suas asas batem incondicionalmente. Se um dia cessarem, juro correr até ao fim do mundo para recuperar e ressuscitar a sua pura beleza, o seu sorriso colorido e irei mergulhar de novo nesta casa que as pedras do rio construíram e onde a energia, a saudade e a consciente inconsciência duram. Agora, espalho a minha confiança sobre as folhas que nunca deitadas irão ficar, que corrompem todas as leis da natureza e se erguem por si mesmas até um labirinto ser formado dentro de mim. Esta borboleta não é rigorosa, é livre, louca e irracional, porque é disso que ele se trata.

«As chamas trinco, no gelo ardido, são formas muitas de te amar.»

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

another day, just believe, just breathe

disse um sim que durará para sempre e que, mesmo oculto, estará pendurado nas folhas que mandei trazer de Itália. as jarras, a cadeira onde te sentaste, o espelho que se partiu, tudo isso são pormenores ao lado das rosas que trinquei e dos ossos que vendi por ti, para puder tratar-me por mais um segundo. sinto que é doença o que trago, que não tenho as ferramentas necessárias para mandar construir o sonho dilacerado por cobras e lagartos despidos de vergonha. se me deixares apontar mais dois pontos nessa mão delicada prometo cantar-te as mais suaves canções e gritar-te as palavras mais fortes e seguras.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

minha criança

Um tapete colorido, invadido por traços de emoções que se resumem à inconsciência tocada de duas crianças. Emerge uma cor de cada vez, sem serem criados padrões ou caminhos. Um beijo e um abraço chegam, uma história encantada ou uma simples música de embalar. A sensação toma um atalho acolhedor e um ingénuo arco-íris origina milhares de sorrisos simples mas sentidos. Os sons resumem-se a palavras geradas por emoções vivas, inicialmente retraídas, que lhes tomam conta do corpo e do coração e que transformam toda a seriedade exigida pelo mundo em doces lágrimas bêbedas de alegria. É bom poder sentir essa “felicidade inconsciente”, uma felicidade espontânea e incondicional, que aparece quando menos esperamos e nos tornam pessoas mais preenchidas.