Numa rua onde param o branco e o azul, à minha janela vejo um excessivo vermelho. Vejo-o nos lábios, nos anúncios, nas paredes e até mesmo, ali no fundo, naqueles sapatos. Consigo caracterizar cada tom desta cor. É garrida, forte, dolorosa ao toque e suave ao olhar. Não peço, juro que não peço mais nada senão poder tocar-lhe, sentir a sua dor, a sua chama, a sua robustez. É engraçada a forma como passa do rosado para o vermelhão - são as emoções, essas que trabalham dia e noite para se fazerem notar. Uma vez, uma disse-me ser a rainha de todas as outras. Julguei estar mentindo, até ao momento em que a senti dentro de mim, estava vermelha; cantava tão alto que acordou, dentro do castelo das sensações, o azul, o amarelo, o laranja, todos os tons fáceis de ouvir. Cada um de nós tenta agarrar a sensibilidade que mais lhe apetece, e apesar dessa rua ser branca e azul, eu pintei-a de vermelho. Quando chover, abraçar-me-ei aos meus olhos e pintarei de novo.
*este é o 100º do blogue :)
